sábado, 23 de janeiro de 2010

Recomeçar


Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só,

Porque esperar
Se podemos começar
Tudo de novo?
Agora mesmo,

A humanidade é desumana
Mas ainda temos chance,
O sol nasce pra todos,
Só não sabe quem não quer,

Até bem pouco tempo atrás,
Poderíamos mudar o mundo,
Quem roubou nossa coragem?
Tudo é dor,
E toda dor vem do desejo,
De não sentimos dor...

SE O CAMINHO QUE NOS FIZERAM ACREDITAR QUE ERA O ÚNICO E MELHOR PARA A NOSSA FELICIDADE NÃO ENCAIXA... O QUE FAZER?
Estamos sem referencial.
Como Lennon bem lembrou, fizeram a gente acreditar numa vida quadradinha, em que aos 30 anos deveríamos estar casados (e detalhe: temos que acertar de primeira), com emprego estabilizado, sucesso profissional, filhos de preferência, saudáveis, como naqueles anúncios de margarina. Nos fizeram acreditar que quem passa por crises, precisa mudar de rumo, quem joga pro alto uma vida desgastada e vai em busca de sua felicidade é doido.
Essas ideias estão tão impregnadas na gente que mesmo que tentemos usar outro discurso, nosso corpo se manifesta diferente... o que fazer???
O que fazer para superar o mal estar de ir na contramão da maioria das pessoas? Talvez se acreditarmos de coração que existem outras possibilidades de ser feliz, e sustentar essa crença... se a gente se assumir... assumir o "não sei, e daí?"... pode, sim, abrir essa janela em direção a um novo e desconhecido sol...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Sutilmente...


"Quando eu estiver triste
simplesmente me abrace..."

Perfeição


"Essa idéia de perfeição me assusta. Chegamos quase a ter medo de fazer alguma coisa, hoje em dia, por não podermos fazê-la com perfeição."
(Leo Buscaglia)

Você sabe quem é???


"Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto..."

(Renato Russo)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A grama do vizinho - Martha Medeiros




Há um certo há de queixume sem razões muito claras. Converso com pessoas que estão na meia-idade, todas com profissão, família e saúde e ainda assim elas trazem dentro delas um não-sei-o-quê perturbador, algo que as incomoda, mesmo estando tudo bem. De onde vem isso?

Anos atrás, a cantora Marina Lima compôs com o seu irmão, o poeta Antonio Cícero, uma música que dizia: "Eu espero/acontecimentos/só que quando anoitece/é festa no outro apartamento”. Passei minha adolescência com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar para o qual eu não tinha sido convidada. É uma das características da juventude: considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são — ou aparentam ser. Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligada na grama do vizinho.

As "festas em outros apartamentos" são fruto da nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias. Os notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, revelam pouco suas aflições, não dão bandeira das suas fraquezas, então, fica parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando na verdade a festa lá fora não está tão animada assim.

Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e também motivos pra se refugiar no escuro, alternadamente. Só que os motivos para se refugiar no escuro raramente são divulgados. Pra consumo externo, todos são belos, sexys, lúcidos, íntegros, ricos, sedutores. "Nunca conheci quem tivesse levado porrada - todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo". Fernando Pessoa também já se sentiu abafado pela perfeição alheia e olha que na época em que ele escreveu estes versos, não havia esta overdose de revistas que há hoje, vendendo um mundo de faz-de-conta.

Nesta era de exaltação de celebridades — reais e inventadas — fica difícil mesmo achar que a vida da gente tem graça. Mas tem. Paz interior, amigos leais, nossas músicas, livros, fantasias, desilusões e recomeços, tudo isso vale ser incluído na nossa biografia. Ou será tão divertido passar dois dias na Ilha de Caras, fotografando junto a todos os produtos dos patrocinadores? Compensa passar a vida comendo alface para ter o corpo que a profissão de modelo exige? Será tão gratificante ter um paparazzo na sua cola cada vez que você sai de casa? Estarão mesmo todos realizando um milhão de coisas interessantes, enquanto só você está sentada no sofá pintando as unhas do pé?

Favor não confundir uma vida sensacional com uma vida sensacionalista. As melhores festas costumam acontecer dentro do nosso próprio apartamento.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A hora da virada


Já postei alguns artigos sobre escolhas, decisões e mudança.
Estou com vontade de falar um pouco sobre a "hora" da virada, pois me parece que existe um momento de "estalo interno", uma voz que nos desperta para a mudança. Esse momento acontece muito rapidamente e também me parece que se o perdemos, um pouco do pique e do entusiasmo se perde com ele.
Tenho ouvido histórias incríveis de pessoas que mudaram suas vidas em momentos onde nada se esperava. Histórias de superações através de limitações físicas, pela idade ou acontecimentos específicos que forçam a revisão de rotas e alteração de rumos pessoais e profissionais.
Penso no aspecto profissional e vejo que não há muito como escapar. Há pessoas que culpam o chefe ou a empresa por sua falta de perspectiva. Há outros que conseguem permanecer fazendo sempre a mesma coisa e vivem bem.
O fato é que tudo depende de suas perspectivas pessoais.
Por isso o auto-conhecimento é fundamental.
Há momentos em que nem a gente se conhece exatamente. Mas é preciso parar e olhar para o espelho de forma sincera e honesta: quem sou eu? O que eu busco? Quais são meus valores de vida? O que faço bem, ou seja, quais são meus verdadeiros talentos, a despeito do meu emprego atual?
Temos que olhar para a nossa vida sem circunscrevê-la a um emprego ou empresa, mas às atividades que nos "alimentam". Dizem por aí, e eu concordo com essa teoria, que sucesso depende, muito, do quanto estamos conectados com o que fazemos. Se colocamos paixão, amor, entusiasmo no trabalho, ele cresce. Isso mesmo, ele se multiplica, daqui ali encontramos novas pessoas, contatos e oportunidades. Mas isso só se faz com trabalho, trabalho, trabalho, como frizou muito bem Nizan Guanaes.
Não existe sucesso sem trabalho (ao menos estamos falando de um mundo mais próximo à nossa realidade, longe da política...).
Mesmo em momentos de dúvidas, devemos trabalhar e nos movimentar buscando sentido no que fazemos. Em algum momento descobriremos um pouco mais sobre nós mesmos e sobre nosso trabalho e, assim, avançamos mais um pouco.
Antigamente eu acreditava, ingenuamente, em um momento mágico de despertar. Hoje sei que este momento se faz em meio às conturbadas questões do dia-a-dia, mas de qualquer forma, merece respeito e atenção.
Senão corremos o risco de passar a vida no conformismo. Se você não liga pra isso, ok, vá em frente... mas se é como eu, vai ter que aprender a escolher constamente entre o conforto e o risco, procurando o equilíbrio entre razão e emoção.
Boa semana...

Abrindo a porta




"Numa terra em guerra, havia um rei que causava espanto.
Cada vez que fazia prisioneiros, não os matava, levava-os a uma sala, que tinha um grupo de arqueiros em um canto e uma imensa porta de ferro do outro, a qual haviam gravadas figuras de caveiras.
Nesta sala ele os fazia ficar em círculo, e então dizia:
- Vocês podem escolher morrer flechados por meus arqueiros, ou passarem por aquela porta e por mim lá serem trancados.
Todos os que por ali passaram, escolhiam serem mortos pelos arqueiros.
Ao término da guerra, um soldado que por muito tempo servira o rei, disse-lhe:
Senhor, posso lhe fazer uma pergunta?
- Diga, soldado.
- O que havia por trás da assustadora porta?
- Vá e veja.
O soldado então a abre vagarosamente, e percebe que a medida que o faz, raios de sol vão adentrando e clareando o ambiente, até que totalmente aberta, nota que a porta levava a um caminho que sairia rumo a liberdade.
O soldado admirado apenas olha seu rei que diz:
Eu dava a eles a escolha, mas preferiram morrer a arriscar abrir esta porta.
Quantas portas deixamos de abrir pelo medo de arriscar?
Quantas vezes perdemos a liberdade, apenas por sentirmos medo de abrir a porta de nossos sonhos?".

(Autor desconhecido)