terça-feira, 19 de maio de 2009

Encontro entre Leonardo Boff e Dalai Lama


Leonardo Boff explica:

"No intervalo de uma mesa-redonda
Sobre religião e Paz entre os povos,
Na qual ambos participávamos,
Eu, maliciosamente, mas também
com interesse teológico,
lhe perguntei em meu inglês capenga:
- "Santidade, qual é a melhor religião..?"
Esperava que ele dissesse:
"é o budismo tibetano" ou "são as religiões orientais,
muito mais antigas do que o cristianismo."

O Dalai Lama fez uma pequena pausa,
deu um sorriso, me olhou bem nos olhos
- o que me desconcertou um pouco,
por que eu sabia da malícia
contida na pergunta -
e afirmou:

"A melhor religião é a que mais
te aproxima de Deus.
É aquela que te faz melhor."

Para sair da perplexidade
diante de tão sábia resposta,
voltei a perguntar:

- "O que me faz melhor..?"

Respondeu ele:

- "Aquilo que te faz mais compassivo
(e aí senti a ressonância tibetana, budista,
taoísta de sua resposta),
aquilo que te faz mais sensível,
mais desapegado,
mais amoroso,
mais humanitário,
mais responsável...
A religião que conseguir fazer isso de ti
é a melhor religião..."
Calei, maravilhado,
e até os dias de hoje
estou ruminando sua resposta
sábia e irrefutável


"Dê a quem você AMA:

asas para voar,

raízes para voltar

e motivos para ficar."

CONFIE SEMPRE

Não percas a tua fé entre as sombras do mundo.
Ainda que os teus pés estejam sangrando, segue para a frente, erguendo-a por luz celeste, acima de ti mesmo.
Crê e trabalha.
Esforça-te no bem e espera com paciência.
Tudo passa e tudo se renova na terra, mas o que vem do céu permanecerá.
De todos os infelizes os mais desditosos são os que perderam a confiança em Deus e em si mesmo, porque o maior infortúnio é sofrer a privação da fé e prosseguir vivendo.
Eleva, pois, o teu olhar e caminha.
Luta e serve.
Aprende e adianta-te.
Brilha a alvorada além da noite.
Hoje, é possível que a tempestade te amarfanhe o coração e te atormente o ideal, aguilhoando-te com a aflição ou ameaçando-te com a morte.
Não te esqueças, porém, de que amanhã será outro dia.

CHICO XAVIER

NOVIDADES!

Amigos e visitantes!

Estou mudando um pouco a "cara" do blog, incluindo artigos científicos e outros comentários sobre a vida cotidiana, vista sob o prisma acadêmico. Comentem o que estão achando, ok?

Abraços,

Carla

As marcas cerebrais dos maus-tratos na infância


Estudo mostra que abusos sofridos na infância mudam a maneira de o cérebro humano responder ao estresse

Somos produto do meio, ou de nossa biologia? "Dos dois", é a resposta à qual a ciência chegou; o debate entre natureza e ambiente há tempos se tornou, felizmente, irrelevante. Hoje reconhecemos que, se por um lado nosso comportamento é fruto do funcionamento do cérebro que temos, este por sua vez depende da combinação de nossa biologia com história de vida - ou seja, com o meio social e acontecimentos pelos quais passamos.

A questão agora é como as experiências de vida afetam o cérebro, às vezes de maneira a deixar traços que duram pelo resto da vida. Dois tipos de experiências opostas com esse poder são a violência e o carinho: quando ocorrem na infância, ambas são capazes de modificar o cérebro, em sentidos contrários, por toda a vida adulta - ao menos no que diz respeito à sua capacidade de lidar com adversidades, ou estresse.

Em uma série de experimentos com ratos, Michael Meaney e sua equipe, na Universidade McGill, no Canadá, mostraram que a prole que recebe cuidados maternos - lambidas, no caso - tem respostas ao estresse menores do que proles não lambidas, produzem níveis menores de hormônios do estresse, têm menos probabilidade de sofrer de distúrbios de ansiedade (sim, ratos também sofrem de ansiedade) - e ainda se tornam mães carinhosas com sua própria prole, quando chega sua vez. Ratos que recebem carinho na infância gozam de respostas mais saudáveis ao estresse na vida adulta - e passam adiante à o carinho que receberam.

O efeito do carinho materno sobre o cérebro envolve a ativação por serotonina de neurônios do hipocampo, o que leva à maior produção de um fator de transcrição que aumenta a produção de receptores para hormônios do estresse. Com maior sensibilidade a esses hormônios, o hipocampo, em um mecanismo de auto-regulação por retroalimentação negativa, consegue inibir a resposta do cérebro ao estresse e impedir que ela se torne exagerada.

A produção de mais receptores também depende, contudo, de metilação - um tipo de modificação epigenética permanente do DNA, que não altera o código genético (a sequência de bases) mas muda como ele é usado. Por mecanismos ainda não conhecidos, o gene que determina a produção de receptores para hormônios do estresse quase nunca é metilado em animais que recebem carinhos maternos na infância. Sem metilação, grandes quantidades de receptor são produzidas; o hipocampo, assim bastante sensível ao hormônio do estresse, é capaz de inibir rapidamente respostas exageradas ao estresse; e o animal fica, então, protegido (mas não invulnerável!) contra efeitos adversos do estresse crônico ao longo da vida.

Sem carinho materno, no entanto, o DNA do receptor de hormônios do estresse é metilado - e poucos receptores são produzidos. Resultado: respostas intensas do cérebro ao estresse, maior vulnerabilidade a adversidades - e maior chance de sofrer de distúrbios associados ao estresse ao longo de toda a vida.

Tudo isso já foi bem demonstrado em ratos. Como níveis mais altos de hormônios do estresse são encontrados em humanos adultos que sofreram violência na infância, bem como uma maior vulnerabilidade a distúrbios de ansiedade, de humor, esquizofrenia e suicídio, era provável que as mesmas modificações epigenéticas que ocorrem no cérebro de ratos que não recebem carinho acontecessem no cérebro humano vítima de maus-tratos na infância.

A comprovação chegou agora: em estudo publicado em fevereiro de 2009 na revista Nature Neuroscience, o grupo de Michael Meaney comparou a metilação do DNA do receptor de hormônios do estresse e os níveis desse receptor no hipocampo de pessoas vítimas de suicídio que foram vítima de abusos sexuais, físicos ou negligência na infância, e compararam com vítimas de suicídio sem tal histórico, e pessoas que morreram subitamente de outras causas. Resultado: as primeiras, e somente elas, mostravam menor expressão do receptor - e metilação aumentada do DNA correspondente. A modificação não é, portanto, associada ao suicídio ou aos fatores de estresse que devem levar a ele; mas é muito provavelmente associada ao histórico de maus-tratos na infância.

É particularmente notável que o resultado do comportamento alheio - carinho, falta dele ou violência - sejam modificações no cérebro que resultam em mais do mesmo comportamento. Seja tratado com negligência ou violência na infância, e seu cérebro muda o modo de usar seu DNA de uma maneira tal que ele será mais propenso a ser, ele também, violento quando adulto. Ao contrário, receba carinho na infância e seu cérebro muda o modo de usar o DNA de uma maneira que o protege de adversidades e o deixa, ele também, mais carinhoso quando adulto.

E pensar que, quando eu era criança, a cartilha do pediatra Benjamin Spock - e de tantas mães - ditava que os bebês fossem deixados a chorar em seus berços, porque "carinho demais mima e faz mal". Que bom que minha mãe não deu ouvidos a ele... (SHH, março de 2009)

Fontes:

McGowan PO, Sasaki A, D'Alessio AC, Dymov S, Labonté B, Szyf M, Turecki G, Meaney MJ (2009) Epigenetic regulation of the glucocorticoid receptor in human brain associates with childhood abuse. Nature Neuroscience 12, 342-348.

Hyman SE (2009) How adversity gets under the skin. Nature Neuroscience 12, 241-242.

Vcoê cnogesue ler itso?


O e-mail reaparece ocasionalmente: "pesquisadores de sei lá onde mostram que a leitura é feita por grupos de letras, e não letras individualmente". Como é possível reconhecer palavras quando sua sequência de letras é embaralhada? Aliás, como é possível sequer ler, simplesmente?

A leitura envolve um aprendizado coordenado entre várias partes do cérebro: as que processam imagens, as que processam sons, e outras que registram significados. Durante a alfabetização, aprendemos a associar rabiscos arbitrários com sons, depois sequências de rabiscos com significados (idéias) e movimentos da boca e língua, até que, aos poucos, o reconhecimento de grupos de rabiscos - as letras - se torna não só automático, como inevitável.

Esse tipo de reconhecimento visual aprendido, ou seja, resultante de experiência, depende de um processamento cada vez mais complexo ao longo de uma série de regiões do córtex visual: das áreas primárias, que reconhecem apenas as características mais elementares das letras (um traço para cima, uma volta para baixo), a regiões cujos neurônios reconhecem letras específicas, a outras que reconhecem grupos de letras. Essa via leva, por fim, a uma região na borda enter os lobos occipital e temporal cujos neurônios parecem reconhecer palavras inteiras, independentemente do tamanho ou fonte das letras.

Um estudo publicado na revista Neuron em abril de 2009 sugere que essa "área visual de palavras" no córtex possui neurônios seletivos para palavras reais específicas, que são pouco ativados por não-palavras (isto é, sequências foneticamente válidas de letras, mas sem significado, que não ocorrem no idioma). Muito específicos, esses neurônios não seriam sensíveis a outras palavras que diferem da sua preferencial por uma letra que seja: por exemplo, o neurônio que responde a "faca" não é o mesmo que responde a "vaca".

Cmoo epxilacr a lieruta de parvalas com lretas ebmrahalaads, etãno? Essa leitura, embora possível, não é automática, e leva mas tempo, como você pode constatar. Tampouco acontece para palavras isoladas; precisamos do contexto para ajudar a inferir a identidade das palavras, e haver regras fixas, como a primeira e a última letras ficarem em seus lugares, é fundamental. Mal talvez essa leitura também envolva, embora por caminhos mais tortuosos, a ativação dos mesmos neurônios da "área visual de palavras" - que agora levam mais tempo para reconhecer que aquele conjunto de letras é uma variação de uma palavra, mas ainda é ela. Outras variações, a leitura no espelho ou de cabeça para baixo, também envolveriam esse tipo de reconhecimento mais custoso, mas ainda possível.

Os autores, da Universidade Georgetown, nos EUA, propõem que a seletividade dos neurônios dessa área cortical para palavras específicas seria o resultado da experiência com palavras, conforme o cérebro aprende a associar grupos de letras com sons e significados específicos. Desse modo, o que hoje é uma não-palavra pode se tornar uma palavra amanhã - e assim o vocabulário do cérebro pode continuar crescendo, aprendendo palavras novas no seu idioma, e em outros também. (SHH)



Fonte: Glezer LS, Jiang X, Riesenhuber M (2009). Evidence for highly selective neuronal tuning to whole words in the "visual word form area". Neuron 62, 199-204.

FAÇA PARTE DESTA CAMPANHA!

sábado, 16 de maio de 2009

Quem realmente se importa com você!


Aqueles que dizem apenas o que você quer ouvir, fazem isto para o benefício deles e não do seu. Aqueles que sempre concordam com tudo o que você diz não podem lhe providenciar nada de real valor. Porém, aqueles que lhe desafiam, mesmo que eles tenham ou não a intenção de ajudá-lo, são estes que podem ajudá-lo a crescer ainda mais. Aqueles que lhe respeitam o suficiente para lhe dar as suas verdadeiras opiniões, são estes que providenciam preciosos feedbacks.

Aqueles que dão a você tudo o que você deseja sem pedir nada em retorno, podem fazer com que você se torne impotente e excessivamente dependente. Aqueles que fazem vista grossa para a mentira e o engano são os mesmos que constroem frustrações e desespero. Porém, aqueles que demandam uma prestação de contas saudável são os mesmos que podem ajudá-lo a edificar uma verdadeira e sadia auto-estima.

Aqueles que realmente se importam com você nem sempre são os mais fáceis de ter ao redor. Isso porque eles exigem que você exiba um padrão de vida moral e caráter elevado. Porém, eles são as melhores pessoas que você pode ter por perto. Quero encorajá-lo no dia de hoje a buscar pelas pessoas certas, pois à semelhança de um elevador, elas podem levá-lo para baixo ou para cima.

(Desconheço o autor)

Para Meditação:

Leais são as feridas feitas pelo que ama. Provérbios 27:6